Histórias que a urna não conta

Urna tem boca, mas não fala. Histórias sobre política e relatos como este são mais comuns do que podemos imaginar. Há muitos anos, um jovem inexperiente e derrotado candidato a vereador, numa cidade do Vale do Rio do Peixe era assessor do prefeito. Foi com um cheque preenchido com o valor exato para pagar um grupo musical que realizou um evento artístico para a prefeitura. Naquele tempo não havia transferência interbancária. Usava-se muito o cheque. O representante do grupo que estava recebendo o cheque pediu: “De quanto você quer que eu faça a nota fiscal?” Ele, sem entender direito respondeu que a nota deveria ser no valor do cheque. O músico disse que poderia fazer a nota maior e ele poderia trazer outro cheque e ficar com a diferença. Mesmo assim, ele insistiu e pediu a nota no valor do cheque apresentado. Voltando para a prefeitura, relatou o fato ao prefeito e perguntou se isso era normal. O prefeito, segundo ele um senhor íntegro, respondeu: ” Você ainda vai ver muito disso. Na vida pública isso é normal. O que não é normal é você estar me contando o ocorrido e ter agido honestamente.”
Prova de que a corrupção tem mão dupla, mas só se corrompe quem quer.

Albino Martini

Categorias: Política