Estamos vivendo na época da Frescura ?

E de vereda, chegamos na encruzilhada da vida. Antigamente as coisas eram tudo mais simples. Nada se compara com as frescuras que vivenciamos hoje. Não tínhamos os dengos que as crianças e jovens tem atualmente. A modernidade, com as redes sociais e as mensagens instantâneas trouxeram comodidade, encurtaram distâncias mas levaram a simplicidade, a doçura, o encanto e a beleza das coisas simples e que realmente importam para se viver bem. Quando éramos crianças, na boquinha da noite juntávamos a patota e muitas vezes varávamos a noite jogando conversa fora. Pelo alarido, nossos pais sabiam perfeitamente onde estávamos. Não havia celular. Era sensacional a conversa não ser interrompida de minuto a minuto por toques, sons e vibrações. O riso solto, a prosa descompromissada e mesmo aquele flerte ingênuo com as meninas da vizinhança deixaram muitas saudades. O único compromisso além de ajudar nas tarefas caseiras era tirar notas boas na escola. Íamos à escola para aprendermos e não para sermos educados. A educação era tarefa de nossos pais. As marcas do passado estão evidentes quando ainda trazemos nas mãos os calos da enxada. Naquele tempo ainda passava na rua empoeirada onde morávamos a boiada rumo ao matadouro, tocada pelos vaqueiros. Parávamos as brincadeiras para vê-los troteando seus cavalos. Era como em filmes de Cowboys. Aos sábados, os mais velhos matavam uma galinha e faziam um brodo, enquanto os mais jovens iam para a sala da casa ouvir música e dançar ao som de discos de vinil, ABBA, Bee Gees, Creedence, Raul Seixas e até Os Atuais. No domingo pela manhã, todos vestiam a melhor roupa para irmos à igreja. Decerto que o traje nunca era muito bom, mas era o melhor que tínhamos.

Após a missa, jogávamos bola até o sol se pôr, descalços ou, quando muito, uma conga ou kichute, num campinho de trave de vara ou de pedra. Às vezes tínhamos de correr das vacas que queriam seu espaço para pastar. Naquela época, aprendíamos a rezar em casa e na catequese da igreja. Quanta saudade dos banhos de rio, de fazer barcos de papel, de subir em árvores e comer frutas frescas, dos carrinhos de rolimã, de rolar no barro nas valetas da Rua Fazendinha, de brincar de andar com perna de pau, de se esconder, de andar de canoa de coqueiro na grama, de cair dos cipós e caminhar nos trilhos do Trem. Os amigos de infância, parafraseando João Simões Neto “que andavam agarrados como carrapatos em boi gordo “, se perderam vida afora a ocupar-se com suas vidas. Ainda os campeio, mas só os encontro em velhas lembranças. Fotos, apenas as gravadas na memória.

 


Fotos: INTERNET: : Albino Martini (Pequeno resumo “da síntese dos meus pensamentos absurdos”.

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